Horta comunitária transforma antigo ponto de descarte em Hortolândia
Mantida pela Associação Projeto Águia, a Horta Comunitária Jovens Raízes reuniu cerca de 35 pessoas em uma ação com o CRAS Vila Real que combinou produção de alimentos, recuperação ambiental e integração entre gerações
Um terreno antes tomado pelo mato e utilizado para o descarte irregular de lixo e entulho está sendo transformado em espaço de agricultura urbana, convivência e educação ambiental em Hortolândia (SP).
Nesta quinta-feira, cerca de 35 pessoas — entre crianças, jovens, adultos e idosos — participaram de uma ação de plantio na Horta Comunitária Jovens Raízes, mantida pela Associação Projeto Águia. A atividade foi realizada em parceria com o CRAS Vila Real e reuniu diferentes gerações em torno de um objetivo comum: produzir alimentos, recuperar uma área da comunidade e incentivar a preservação do meio ambiente.

Educação ambiental e plantio de 200 mudas
A programação começou com um café da manhã preparado pela equipe do CRAS Vila Real. Em seguida, os participantes acompanharam uma palestra com os representantes da Secretaria Municipal de Meio Ambiente Ricardo Zanoni e Sonarli.
Durante a atividade, foram abordados temas como preservação ambiental, descarte correto de resíduos e utilização dos Pontos de Entrega Voluntária, os PEVs. Esses espaços ajudam a evitar que terrenos e áreas públicas sejam transformados em locais de descarte irregular de lixo e entulho.
Depois da conversa, os participantes colocaram a mão na terra. Idosos atendidos pelo CRAS Vila Real e aproximadamente dez crianças que participam das atividades do Projeto Águia ajudaram no plantio de 200 mudas de hortaliças.
Entre as espécies plantadas estavam rúcula, salsinha, cebolinha, coentro, acelga, agrião, brócolis, cheiro-verde, couve, espinafre e mostarda.
O trabalho desenvolvido no espaço, no entanto, vai além da ação realizada nesta quinta-feira. Segundo a Associação Projeto Águia, as crianças já participaram do plantio de mais de 300 mudas de hortaliças e outras espécies.
A área também recebeu alface, beterraba, cenoura, tomate, berinjela, abóbora, girassol, pimentão, pimenta-biquinho, pimenta-malagueta, mandioca, rabanete, vagem e melancia.
Pomar e recuperação ambiental
A Horta Comunitária Jovens Raízes também ganhou um pomar com mais de 50 árvores frutíferas. Entre as espécies cultivadas estão mangueira, goiabeira, abacateiro, laranjeira, bananeira, limoeiro, grumixama, abacaxi, jabuticaba, acerola, pitanga, araçá e ameixa.
Além das espécies destinadas à produção de alimentos, foram plantados 15 ipês-amarelos, ampliando a proposta de recuperação ambiental da área.

De ponto de descarte a espaço de convivência
Iniciada em novembro de 2025, a Horta Comunitária Jovens Raízes já realizou três colheitas. Os alimentos produzidos foram distribuídos para famílias de crianças atendidas pelo Projeto Águia e para moradores da comunidade.
Antes utilizado para o descarte irregular de lixo e entulho e tomado pelo mato alto, o local passou a ser cuidado pela comunidade. Hoje, começa a se consolidar como uma área de convivência, produção de alimentos e educação ambiental.
Para o fundador e voluntário da Associação Projeto Águia, Rêgi Águia, um dos principais objetivos é ampliar a participação dos moradores e levar a iniciativa para outros bairros de Hortolândia.
“A Horta Jovens Raízes começou em novembro do ano passado e já tivemos três colheitas, que foram destinadas às famílias das crianças atendidas pelo projeto e à comunidade. Agora estamos reestruturando a horta, depois de conseguirmos um edital da Microsoft. Nosso objetivo é envolver cada vez mais a comunidade e mostrar que cuidar do espaço onde vivemos também é responsabilidade de todos. As crianças estão aprendendo, na prática, a cuidar da natureza e do meio ambiente. E o resultado já está aparecendo: as pessoas pararam de jogar lixo e entulho aqui. Estamos fazendo a diferença”, afirma Rêgi Águia.
Segundo ele, a intenção é multiplicar o modelo em outras regiões do município, com apoio do poder público e da iniciativa privada.
“Queremos que essa ideia possa chegar a outros bairros, com incentivo da Prefeitura e das empresas. É uma ação que une alimentação, meio ambiente, educação e inclusão social. Estamos mostrando que, quando a comunidade participa, é possível transformar um espaço e melhorar o bairro e a cidade.”

Experiência que atravessa gerações
A ação também proporcionou a troca de experiências entre crianças e idosos. Entre os participantes estava a aposentada Helena Bispo de Oliveira, que trabalhou durante muitos anos na roça.
Para ela, voltar a mexer com a terra trouxe lembranças do passado e reforçou a importância da horta para as famílias da comunidade.
“Eu trabalhei muitos anos na roça e, quando vim participar dessa atividade, relembrei bons momentos. É muito bonito ver esse trabalho sendo feito pelas crianças e pelos idosos. Essa horta é muito importante para a vida das pessoas. Tem gente que não tem dinheiro para comprar uma salada, e aqui poderá encontrar alimento saudável. É um trabalho que beneficia a comunidade e também ensina as crianças a cuidar da natureza”, afirmou Helena.
A participação dos idosos também foi destacada pelo educador social do CRAS Vila Real Deivid de Oliveira Betoni, responsável pelas atividades com a Melhor Idade.
“É um sentimento muito gostoso participar junto com os idosos desta ação do Projeto Águia. A inclusão social que a horta promove é fundamental para melhorar a vida das pessoas. É uma atividade que aproxima gerações, proporciona bem-estar e mostra que todos podem contribuir para a transformação da comunidade”, disse.

Secretaria de Meio Ambiente destaca iniciativa
Durante a atividade, o representante da Secretaria de Meio Ambiente Ricardo Zanoni afirmou que o trabalho desenvolvido pela Associação Projeto Águia representa um feito inédito na cidade.
Segundo Zanoni, a iniciativa reúne educação ambiental, recuperação de uma área anteriormente degradada, produção de alimentos, participação comunitária e integração entre crianças e idosos. Para ele, essa combinação pode servir de inspiração para outros municípios.
A representante da Secretaria de Meio Ambiente Sonarli também parabenizou o trabalho realizado pelo Projeto Águia.
“Agradecemos e parabenizamos o empenho do Projeto Águia, que já desenvolve um trabalho muito importante com crianças e jovens e agora amplia esse cuidado também para a natureza. Iniciativas como essa precisam ser copiadas em todos os bairros da cidade”, destacou.
Mais do que produzir verduras e frutas, a Horta Comunitária Jovens Raízes começa a colher mudanças no comportamento da comunidade.
O antigo ponto de descarte irregular está se transformando em um lugar onde crianças aprendem a plantar, idosos compartilham experiências, famílias recebem alimentos e moradores passam a enxergar o território como um patrimônio coletivo.
A experiência mostra que, na agricultura urbana, a colheita não se resume ao que nasce da terra. Os resultados também podem ser percebidos na educação, na convivência, na inclusão social, na consciência ambiental e na transformação do bairro.

